urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeveraoNoites de VerãoPaula Custódio ReisLiveJournal / SAPO BlogsPaula Custódio Reis2020-03-12T14:14:22Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:103732020-03-12T14:12:00O Medo de ser Mãe2020-03-12T14:14:22Z2020-03-12T14:14:22Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="pais-toxicos.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4218987e/21723919_Ye0c5.jpeg" alt="pais-toxicos.jpg" width="960" height="491" /></p>
<p> </p>
<p>Quando era miúda pequena e me zangava com a minha mãe ameaçava: «qualquer dia fujo para a Serra!». As respostas eram «Experimenta!» ou então um desinteressado «Foge…».<br />A ameaça da primeira dava-me medo da minha mãe, a segunda, medo da Serra.<br />Perante um estado de Pandemia, obviamente, tendemos a ficar receosos e alerta. Mas daí até espalhar boatos de infetados e internamentos de gente próxima… Mandaria o bom senso que contivéssemos esta vontade de ser o centro de atenções, detentores das novidades em primeiríssima mão.<br />Nos nossos dias é muito mais importante o eu do que o coletivo, ignorando completamente a necessidade que cada um de nós tem do coletivo para poder sobreviver. A corrida a bens de primeira necessidade, de material de proteção como luvas e máscaras e o «achismo» de que tendemos todos a encher-nos só atrapalha as condições de trabalho daqueles que efetivamente podem e devem fazer algo, que são os profissionais de saúde.<br />Um profissional de saúde infetado não deixa de ser um foco de contaminação. Por isso, se calhar, era melhor fazer contrição dos nossos atos e entregar nos serviços de saúde o material que adquirimos em excesso.<br />Quanto ao isolamento de que todos nós nos arvoramos como detentores legítimos e imediatos, pensem primeiro na falta que o vosso desempenho profissional faz, para que este sistema a que chamamos sociedade, continue a funcionar. Se eu não for trabalhar, por exemplo, haverá pessoas que não poderão requerer os seus direitos sociais, perderão os seus rendimentos e não conseguirão fazer face às despesas básicas de todos os dias…</p>
<p>Se tenho medo? Claro. Quem é o Pai que o não tem?<br />Porque é que disfarço? Porque na sua infinita sabedoria de mãe, a minha me ensinou que se tivesse mostrado medo às minhas ameaças, provavelmente eu me teria metido a caminho de uma qualquer aventura, com desfecho imprevisível, como são todas as aventuras infantis.<br />O papel principal dos educadores é dar o exemplo e, isso sim, também deve estar nos nossos pensamentos nos dias que correm.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:97382020-02-26T11:11:00Tento na Língua 2020-02-26T11:01:41Z2020-02-26T11:01:41Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 631px; padding: 10px 10px;" title="cropped-luis-camoes.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B5d175fbb/21698834_DUBs1.jpeg" alt="cropped-luis-camoes.jpg" width="631" height="315" /></p>
<p>Ontem falava com um amigo acerca da importância de saber escolher as palavras quando se fala, por exemplo, em nome de uma classe profissional. É que tudo o que dizemos cria uma imagem mental em quem nos ouve.<br />Chegamos até a arquivar frases-momento para catalogar aqueles que conhecemos.<br />Por exemplo: a frustração da infância quando uma professora dizia "isso não parece teu"; a alegria emotiva do abraço de amizade acompanhado de um "as saudades que eu tinha"; a raiva incontida de alguém que te diz "você não devia ter direito a voto", "assim ficas com mais tempo para os teus filhos", "achava que eras uma rapariga inteligente".<br />As três últimas frases, ditas com tom de brincadeira, são até prova da estima que permite a pessoas que se respeitam brincar umas com as outras.<br />Ouvidas em tom de raiva criam os tais momentos-frase. Tatuam-se na memória.<br />Será que o outro não nos merece o respeito suficiente para que tenhamos o que os antigos chamam de "tento na língua"?</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:97212018-09-06T13:00:00Independência ou Morte- O Grito do Ipiranga2018-09-06T11:18:30Z2018-09-06T11:18:30Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="cropped-a-liberdade-guiando-o-povo6.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G67133957/21161285_oTytN.jpeg" alt="cropped-a-liberdade-guiando-o-povo6.jpg" width="940" height="198" /></p>
<p>Porque amanhã faço anos.</p>
<p>Porque amanhã se comemora o Dia da Libertação do Brasil.</p>
<p>Porque já não aguento mais as notícias do meu País... e, já agora, as do Brasil...</p>
<p> </p>
<p>Fui revisitar um clássico. Um discurso do António Arnaut. Porque os discursos, e as pessoas, também são clássicos. Alguns, são verdadeiras Instituições.</p>
<p>E senti-me recentrada. Reorientada.</p>
<p>As palavras deste senhor soam como decretos, para mim. Não pelo dever, mas pela admiração que lhe tenho.</p>
<p>«Continuarei com a rebeldia criadora, que pode conduzir ao que alimenta o sonho de uma Sociedade Democrática e Socialista»</p>
<p>Devemos voltar aos «Valores Matriciais do Partido Socialista: a Liberdade, a Igualdade e a Solidariedade.»</p>
<p>«Vamos pela Esquerda, que é o lado do nosso Coração»</p>
<p>Viva a Indepência Democrática, Viva a Liberdade.</p>
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<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=piB1d1poXW8" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=piB1d1poXW8</a></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:92532018-08-06T12:06:00Pensar um País a Régua e Esquadro (e Nível).2018-08-06T11:12:54Z2018-08-06T11:12:54Z<p>«Precisamos de um novo Marquês de Pombal que fizesse ao País o que foi feito em Lisboa»</p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="nível.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B21117c87/21123255_eBgHl.jpeg" alt="nível.jpg" width="500" height="333" /></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Depois de uma grande desgraça, temos a oportunidade de, aquando da reconstrução, fazer melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Sebastião de Mello teve esta visão. E conseguiu reconstruir uma Cidade, Capital de um País e de um Império, que é motivo de espanto e orgulho até aos dias de hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Não o fez sozinho. Na base da estátua, que encima a Rotunda de onde saem as artérias principais do coração de Lisboa, constam também os que o aconselharam, acompanharam e orientaram.</p>
<p style="text-align: justify;">Consta até um médico, cristão novo, exilado, natural da Raia Penamacorense. «Dos sítios Mais Sadios para fundar uma Cidade», foi, seguramente, um dos livros base para a reconstrução de Lisboa. Ribeiro Sanches, o autor, sabia bem a diferença da orientação das janelas, ou dos fundamentos básicos da salubridade urbana.</p>
<p style="text-align: justify;">Há quase trezentos anos, com muito menos meios e menos tecnologia, com muito mais força humana e planeamento sábio, reergueu-se uma cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma cidade harmoniosa, funcional e pensada para o futuro. Uma cidade que nos orgulha hoje, porque mostra o quanto somos capazes de ser bons a planear, a construir, a projetar.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão que fica, é a que subjaz ao nosso eterno Sebastianismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Até quando esta espera desoladora, por um herói individual, que nos venho salvar do nosso triste fado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando é que perceberemos que todos os nossos heróis nacionais, só o foram porque tiveram um herói coletivo de base. Um coletivo que não se conformou com uma situação qualquer que se arrastava, que tomou a braços a mudança, porque o que existia já não servia.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é o herói individual que falta, é o colectivo que não se apercebe do seu papel.</p>
<p style="text-align: justify;">Do papel de exigir e fazer. De cumprir e fazer cumprir, nos múltiplos papéis que desempenha. E que tenha a sabedoria de continuar a segredar ao ouvido de quem o representa, o que os romanos segredavam aos seu laureados «Tu és só um homem».</p>
<p style="text-align: justify;">Porque a noção da humildade, daqueles cujos papéis é servir o colectivo, é o garante da sua constante evolução, enquanto líderes e enquanto seres humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">«Um forte Rei, faz forte a sua fraca gente». Este foi o segredo de Viriato, de Afonso Henriques, do Mestre de Avis, do Infante D. Henrique, de D. Pedro V, de Salgueiro Maia. E acredito que eles, mais do que saberem, sentiam que era assim. Que tinha que ser assim. Que o seu sucesso só o seria, se tivesse por base a vontade pura, daqueles que os acompanhavam.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:89922018-07-27T10:27:00Somos Física e Química2018-07-27T09:35:19Z2018-07-27T10:06:37Z<p style="text-align: justify;"><em>«Somos de carne e osso. Mas, na realidade, tudo o que nos rodeia, e nós mesmos, somos matéria e energia, que interagem no espaço e no tempo. Ou seja, somos física e química.»</em></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="eclipse.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4715956a/21113735_NaUcy.jpeg" alt="eclipse.jpg" width="500" height="282" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Hoje é dia de Eclipse Lunar. Ou seja, um planeta e o seu satélite natural, vão cruzar-se, nas suas rotas, e dar-nos uma visão de si próprios muito diferente do que é habitual: a lua vai ter uma sombra fugaz e vai mudar de cor, aos nossos olhos.</p>
<p style="text-align: justify;">E porque é um fenómeno diferente, muitos de nós, vão ter a curiosidade de, pelos menos, lançar um olhar. Outros vão dissecar o fenómeno. Outros, ainda, por falta de interesse, ou de oportunidade, não terão contacto visual com o fenómeno.</p>
<p style="text-align: justify;">Dizem os cientistas que, até vamos ter oportunidade de ver uns pontos brilhantes, que sabemos ser as crateras da Lua.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou seja, para uma hora de acontecimento, neste pequeno retângulo que é o nosso País, vamos ter dez milhões de reações diferentes. Diferentes porque, apesar de o fenómeno ser o mesmo, e já só tendo em conta os que virem, cada reação, cada visão vai ser diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Porquê? Porque cada um de nós é uma combinação infinita de matéria e de formas como essa matéria reage a si mesma e à matéria externa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nascemos diferentes. Crescemos de forma diferente. Tornamo-nos únicos. E o que cada um de nós tem de melhor é reconhecer essa diferença, fazendo com que ela seja um fator de soma para o Mundo em que vivemos.</p>
<p style="text-align: justify;">O Mundo ganha com a soma das partes. E o papel das partes é ter consciência de que são uma parte do todo, tal como qualquer um dos seus pares. Com diferentes cargas acumuladas de matéria e experiências físicas, é certo, mas apenas uma parte.</p>
<p style="text-align: justify;">E por mais que o entusiamo, o amor pelo outro, ou a vontade de partilhar tomem conta de nós, o que acumulamos de verdadeiramente importante ao longo da vida, é nosso e não pode ser doado. O que podemos doar são os exemplos, a localização das nossas fontes de experiência. Para tudo o resto, o outro tem que ter vontade, capacidade e entendimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso não adianta o nosso entusiasmo benfazejo de só querer passar ao outro. Esse processo, na maior parte das vezes, não resulta. A passagem de conhecimento, para mim, só é validada quando o outro reconhece esse conhecimento como válido. Quando o outro, de forma física, reage com reconhecimento. Ver para crer. Sentir para não esquecer. Física e Química.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:87122018-06-12T12:00:00Da Ecologia2018-06-12T08:52:01Z2018-06-12T08:52:01Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 265px; height: 265px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="flor.png" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bec15878c/21060322_pGFT8.png" alt="flor.png" width="500" height="500" /></p>
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<p> </p>
<p>Em casa da minha avó, tudo era reutilizado. Tudo tinha mais do que um uso. «Quem guarda, acha», era o mote.</p>
<p>Os sacos de plástico, em que transportava as compras do comércio, eram utilizados vezes sem fim. Quantas vezes me lembro de, ao ver um estendal cheio de sacos acabados de lavar, pensar que a minha avó era pouco moderna.</p>
<p>Os frascos de café, haviam de servir para guardar doce de tomate. Os copos de iogurte, serviam de incubadora de plantas. Nas latas com tampa, no fim do verão, guardava as sementes para a época seguinte. Os papéis infinitos das nossas vidas, eram postos em cima da mesa, com o recado para o meu avô saber onde ela tinha ido. Prato esbocelado, servia de base a vasos de flores. Da roupa velha da casa, faziam-se mantas de trapos.</p>
<p>Os eletrodomésticos duravam uma vida. Os móveis passavam de geração. As casas eram para sempre.</p>
<p>Da mesma forma que as plantas davam o sustento e a semente, cada objeto era analisado para uso futuro.</p>
<p>A preguiça, que a abundância nos trouxe, tornou-nos gastadores desleixados. Conhecemos melhor o Mundo e seus limites, mas respeitamo-lo muito menos.</p>
<p>A abundância torna-nos preguiçosos.</p>
<p>Até quando?</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:84642018-05-30T12:37:00Da participação2018-05-30T11:52:12Z2018-05-30T11:52:12Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="congresso ps.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0405d2ff/21043312_A1aNB.jpeg" alt="congresso ps.jpg" width="500" height="375" /></p>
<p> </p>
<p>Participar, dar contributos, opinar, é uma forma de estar na vida. Com moderação e com intenção justa.</p>
<p>As vivências dão-nos perspectivas que não são melhores, nem piores, que as dos outros.</p>
<p>Gosto de achar que estou assim, em todas as facetas da minha vida. Entendo que um processo é tanto mais rico, quanto mais aberto for à participação.</p>
<p>Batalha, 27 de Maio de 2018</p>
<p><a href="https://www.facebook.com/events/168107933857055/permalink/169222753745573/" rel="noopener">https://www.facebook.com/events/168107933857055/permalink/169222753745573/</a></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:83982018-04-27T23:56:00Lá na minha terra, há bons cantadores.2018-04-27T23:30:31Z2018-04-27T23:30:31Z<p>https://www.youtube.com/watch?v=eV_ncgCBhPA</p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="arlindo-de-carvalho-compositor.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bbd0174a5/20994995_6PZCa.jpeg" alt="arlindo-de-carvalho-compositor.jpg" width="500" height="333" /></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>«Muito boa noite senhoras, senhores, lá na minha terra há bons cantadores...»</p>
<p> </p>
<p>O meu pai gostava muito de cantar. E falava no nome do seu professor, Arlindo de Carvalho, com orgulho e saudade.</p>
<p>Sem querer, aprendi letras de muitas músicas, cantadas em festas, nas esplanadas de cafés, em qualquer sítio onde se juntassem dois ou três amigos. Nesses tempos, para além da brincadeira, os pequenos entretinham-se a ouvir os adultos. Até porque íamos com eles para todo lado. Foi assim que soube que, mesmo no meio de um cenário de guerra, em Angola, o meu pai, deitado na cama, chamava muitas vezes a saudade dos outros, com as cantigas do seu cantinho. </p>
<p>Aconteceu-me tantas vezes trautear as mesmas canções...</p>
<p>Havia até um verso de que lembrava muitas vezes: «Adeus lindo Louriçal/ duas coisas te dão graça/é o relógio da torre/ e a austrália da Praça».</p>
<p>Esta austrália era uma árvore de grande porte, cujo corte deixou muita gente triste, lá pela aldeia. Afinal, a praça, era ponto de passagem, de encontro e de festejo e uma árvore grande, é sempre um cenário agradável e uma sombra fresca.</p>
<p>Em 2007, tive o orgulho de repôr uma austrália, no mesmo sítio. Mandei fazer uma placa singela, com o verso que lhe dizia respeito, e pendurá-lo para que todos pudessemos partilhar essa memória.</p>
<p>Passados uns meses, vi alguém encaminhar o professor Arlindo de Carvalho para a Praça, e assisti orgulhosa, ao sorriso que lhe assomou ao rosto.</p>
<p>Hoje assisti a um concerto/homenagem ao professor que faria 88 anos. E venho de coração cheio.</p>
<p>Porque a alma da beira, das suas gentes, das suas paisagens, transbordam das músicas que ouvi.</p>
<p>E por isso são músicas de todos. São parte de nós. Das nossas memórias, do nosso presente e do futuro de todos.</p>
<p>Percebo o orgulho que o impelia a compor. Sinto-me grata por todos aqueles que ele conseguiu tocar, em vida. Sei que muitos perpetuarão o seu legado.</p>
<p>Pela minha parte, tenciono continuar a cantar as suas canções. Sem mágoa, só com o peito cheio de orgulho. Porque esse foi o legado mais importante que ele passou. E porque sei que quem parte, deixa uma parte da sua existência na memória dos que ficam, sei que a partida é só aparente.</p>
<p>Bem haja Arlindo de Carvalho. </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:81292018-04-02T12:08:00Das tradições (e das pessoas) que sobram2018-04-02T11:10:19Z2018-04-02T11:10:19Z<p class="sapomedia images"> <img style="padding: 10px; width: 239px; height: 184px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="senhora das neves.png" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1715b778/20959684_M8RTo.png" alt="senhora das neves.png" width="259" height="194" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, um dia após o Domingo de Páscoa, começam as romarias. Aqui perto, os romeiros prestam a sua homenagem e dirigem as suas orações e pedidos à Sra. do Incenso, à Sra. das Neves, à Santa Catarina, à Sra. da Serra.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminado o luto da quaresma, o coração, os olhos e os passos, noteiam-se para dar graças às Padroeiras e às guardiãs dos Montes, Ermidas e Templos.</p>
<p style="text-align: justify;">Para mim, isto siginifica dar graças à Natureza, que nos traz a Primavera portadora de melhor tempo e melhor alimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Estes cultos são tempos de dar graças, com alegria redobrada e a sensação de liberdade, que o bom tempo proporciona.</p>
<p style="text-align: justify;">Prestei particular atenção estes dias, a uma reportagem sobre as tradições da Quaresma, no Interior, em Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;">No Paúl, vila serrana castigada pelo desemprego, um jovem estudante falava do gosto que tem em ajudar a cumprir as tradições locais, e da sua vontade de encontrar trabalho perto, para poder continuar a usufruir das vivências destes sítios.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa aldeia do Concelho de Vinhais, uma rosada e bem disposta aldeã, falava da importância de perpetuar tradições: «se a gente não continuar o que os antigos faziam, os novos depois já não há-dem saber o que os antigos sabiam».</p>
<p style="text-align: justify;">Eu, que sou uma curiosa assumida pelos saberes dos antigos, fiquei encantada.</p>
<p style="text-align: justify;">E dei por mim a recordar uma conversa, de há uns cinco anos atrás.</p>
<p style="text-align: justify;">Falava com alguém que, já reformado, se sentia de bem com a vida, por ter voltado à cidade natal e estar a dar o seu contributo social, através da gestão de uma entidade dedicada à solidariedade.</p>
<p style="text-align: justify;">A sua vida tinha-se desdobrado em deslocações e estadas na Capital, porque a profissão assim o obrigava, com a família a manter residência em Castelo Branco.</p>
<p style="text-align: justify;">Tentava mostrar-me que as deslocações eram fáceis, e que este não era um modo de vida a pôr de lado.</p>
<p style="text-align: justify;">Tentei explicar que esse modo de vida, não é o que eu, e muitos da minha geração escolhemos, quando viémos fixar as nossas vidas, no Interior de Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós queremos, efetivamente, que a nossa vida se desenrole aqui. Queremos tempo de qualidade. Queremos ver crescer os filhos. Queremos cumprir as tradições. Queremos criar novos usos. Queremos ter a profissão com que sonhámos, mas queremos tê-la aqui. Queremos uma residência em permanência, e não só em poucas horas de lazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo, é preciso trabalhar para que esta realidade se concretize. As novas tecnologias, a descentralização e desconcentração do Estado, serão, concerteza, um forte aliado neste processo de concretização. E este tem que ser o azimute da invervenção de quem decide sobre os nossos destinos.</p>
<p style="text-align: justify;">O que sobra do litoral, não nos serve. As especificidades dos novos usos, não chegam. O que nos falta é gente. Gente a tempo inteiro e de pleno direito.</p>
<p style="text-align: justify;">Não queremos continuar a ser os que sobraram. Queremos assumir de pleno direito que somos os que cá estão. E são os que cá estão que têm que ter o direito de estar em pleno.</p>
<p style="text-align: justify;">Façam o favor de não continuar a decidir por nós, mas a decidir connosco. Porque ninguém conhece melhor o território do que aqueles que o habitam.</p>
<p style="text-align: justify;">(<em>Maria Faia</em> foi uma canção recolhida na aldeia de Malpica do Tejo e popularizada por Zeca Afonso)</p>
<p class="sapomedia videos" style="text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/9ibLD_C6sWY?feature=oembed" width="320" height="180" frameborder="0" style="padding: 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:77932018-02-26T13:00:00Eu, empreendedora social2018-02-26T11:12:40Z2018-02-26T11:12:40Z<p> </p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="eu.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B01117366/20904175_wGPUr.jpeg" alt="eu.jpg" width="500" height="500" /></p>
<p class="sapomedia images">Há umas semanas atrás, durante cerca de uma hora, falei de mim, da minha freguesia, da minha região, das minhas opções. Euzinha, sem filtros:</p>
<p class="sapomedia images"><a href="https://www.mixcloud.com/joão-leitão/emp_15/" rel="noopener">https://www.mixcloud.com/joão-leitão/emp_15/</a></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:76392018-02-19T17:15:00Da galinha nasce uma canja, mas da canja não renasce a galinha.2018-02-19T17:34:24Z2018-02-19T17:34:24Z<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 151px; height: 180px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="ovo de ouro.png" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Paa08ad9f/20894246_8WQui.png" alt="ovo de ouro.png" width="204" height="247" /></p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 324px; height: 211px;" title="arame farpado.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/P52123d42/20894254_AvQKY.jpeg" alt="arame farpado.jpg" width="260" height="163" /><img style="padding: 10px; width: 258px; height: 212px;" title="poluição.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/P9f093242/20894257_5YzRZ.jpeg" alt="poluição.jpg" width="260" height="208" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Fui criada num tempo, em que as histórias contadas pelos mais velhos eram uma forma de nos manter entretidos e, ao mesmo tempo, passar conhecimento moral.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma delas, contava a mais que famosa história de um casal que, não contente com a entrega diária de um ovo de ouro, matou a galinha, com a ambição desmedida de ter mais em menos tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Há cerca de duas décadas atrás, ouvindo um experiente interventor da dinamização turística nacional, gravei uma frase na memória: «Não queiram vender o peixe que não têm na canasta». Imediatamente liguei esta expressão à história da malfadada galinha, que morreu cedo demais.</p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes, as condicionantes de um sucesso futuro são tantas, que alguma pode ser incidentalmente descurada.</p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes, subestimamos aquilo que pode ser uma condicionante do sucesso, por não conseguirmos ver o seu alcance na prática.</p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes sobrevalorizamos o nosso papel de controlador ou decisor de um processo, não tendo, na prática, essa tão grande capacidade de controlo.</p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes tomamos como pormenores, aspetos que são pormaiores.</p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes deixamo-nos embalar no doce canto das sereias que, ao longe, nos dizem que o caminho mais fácil é o melhor caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Este fim-de-semana, de visita ao litoral próximo da Capital, dei-me conta, mais uma vez, da expansão voraz da malha urbana, naqueles sítios.</p>
<p style="text-align: justify;">A juntar a isso, os atropelos vindos das décadas em que tudo era possível e permitido, derivando num arranjo costeiro desorganizado, demasiado lotado, feio à vista, inimigo do ambiente e da paciência dos visitantes.</p>
<p style="text-align: justify;">O setor da hotelaria reclama da não existência de mão-de-obra (qualificada ou não) mas, ao mesmo tempo, vende o que não tem, quer seja em qualidade do que serve, quer seja no atendimento com que nos serve.</p>
<p style="text-align: justify;">E a política de preços? Os mesmos que praticam desde que alcançaram o patamar da fama.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje em dia é difícil reverter muitos dos abusos consentidos em décadas anteriores, mas não será admissível cair nos mesmos erros.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, tenho esperança que o abandono de décadas, que manteve intactas muitas riquezas, no interior de Portugal, possa vir a constituir-se uma mais valia na exploração de produtos autóctones, na intervenção turística, na divulgação histórica.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, para isso, é preciso que os decisores respeitem o território e o conheçam.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso que o território saiba respeitar-se e defender-se a si próprio, não consentindo nas opiniões de quem manda, só porque manda. A autoridade dá-se a alguém porque tem conhecimento e respeito, não porque toma as decisões fáceis de empurrar o lixo para o quintal dos outros.</p>
<p style="text-align: justify;">O interior não pode ser a divisão dos arrumos do País, onde tudo cabe, porque afinal ninguém lá dorme e faz muita falta esconder o que está a mais.Não nos podem prender a um futuro, ligado a estruturas que ninguém quer por perto. Não queremos mais do mesmo. Não vamos continuar a ser invisíveis e mudos.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Acho que esta falta de visão e perspetiva se resolveria, se se aplicasse uma regra que preconizo para quem faz o projeto de um edifício: o responsável de um projeto deveria ser obrigado a morar/trabalhar no edifício em questão, durante o primeiro ano, após a sua construção.</p>
<p style="text-align: justify;">Saibamos construir em conjunto e para o conjunto, não esquecendo nunca, que somos uma parte dele.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:72582018-01-31T13:20:00No mundo (visualizações último ano)2018-01-31T10:21:31Z2018-01-31T10:21:31Z<p>Porque há um português em cada cantinho do Mundo:</p>
<ol>
<li>Portugal - 13.831</li>
<li>França - 301</li>
<li>Suíça - 227</li>
<li>Reino Unido - 208</li>
<li>Brasil - 79</li>
<li>Estados Unidos - 61</li>
<li>Alemanha - 54</li>
<li>Luxemburgo - 38</li>
<li>Espanha - 26</li>
<li>Canada - 18</li>
<li>Holanda - 18</li>
<li>Bélgica - 16</li>
<li>Angola - 7</li>
<li>Suécia - 7</li>
<li>não definido - 7</li>
<li>Polónia - 5</li>
<li>Australia - 4</li>
<li>Irlanda - 4</li>
<li>Mexico - 4</li>
<li>Moçambique - 4</li>
</ol>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:69502018-01-29T13:50:00O valor de uma Rosa2018-01-29T14:24:26Z2018-01-29T16:32:45Z<p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><img style="padding: 10px 10px;" title="27605517_1829762473723953_1308387811_o.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G44017a5e/20857922_spe1Z.jpeg" alt="27605517_1829762473723953_1308387811_o.jpg" width="1024" height="768" /></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Tenho um gosto na vida, que me foi passado pelas gerações anteriores: o de receber. O de acolher e fazer sentir em casa quem é visita.</p>
<p style="text-align: justify;">Percebi, ao longo dos anos, que esta é uma característica Lusa, mais ou menos espalhada pelas regiões, mas que, aqui na Beira, ela é bastante evidente.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, idealizei um projeto. O de fazer do ato de receber, uma atividade.</p>
<p style="text-align: justify;">Tivemos a sorte de encontrar uma casa à medida do nosso gosto, com direito a balcão de pedra e uma horta, onde colher o nosso azeite e alguma fruta.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegado à fase das obras, pensamos em conforto, aconchego, no usufruir sempre de uma magnifica vista, que começa no Colégio de S. Fiel, se estende pela fronteira raiana, e pela capital do Concelho, e acaba na Ribeira da Ocreza. E à noite, na ausência de luz que ofusque, que só a Gardunha imaculada nos pode dar, ter a noção da imensidão do Cosmos. E ficar com a certeza da pequenez humana, perante tão grandioso cenário.</p>
<p style="text-align: justify;">No fundo, a intenção é manter e melhorar nesta casa, o que de melhor serviria para alegrar os cinco sentidos humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Daí a história de uma rosa amarela. Esta rosa, a princípio escondida por outro tipo de vegetação, fica num canteiro encostado ao balcão.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando vieram tratar da cantaria, pedi encarecidamente, que olhassem por ela. E ela lá continua.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho outras à espera de lhe ir fazer companhia. Mas, esta será sempre especial. Porque tem cheiro. Porque sobreviveu ao tempo de esquecimento. Porque é elo de ligação a uma família que antes ali se constituiu. Porque por ela passaram comemorações e tempos de trabalhos, que criaram memórias em descendentes, a lembrar quem construiu a casa e nela habitou.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas também esta rosa me faz ser grata pela paciência e carinho com que foi tratada, num processo que costuma ser de trabalho, azáfama e até atropelo. Pensar que as mãos que sapientemente talharam pedras, foram as mesmas que tiveram paciência para não descurar uma rosa, fez-me ver que também eles sabem valor de uma flor. E sabem-no porque alguém, nas suas casas, as costuma plantar, regar e cuidar. Muitas vezes, eles mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ser mestre de uma arte, significa também ser detentor destas singelezas da alma: ser forte com o que é preciso ser forte, sábio para com os obstáculos da vida, sereno em todas as suas atitudes e delicado com o que é frágil.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta, para mim, é a prova viva da sabedoria humana. O degrau último que espero alcançar, em permanência.</p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:68032017-12-15T12:00:00O raríssimo valor do voluntariado2017-12-15T11:53:44Z2017-12-15T11:53:44Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="bombeiro.png" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bec07e721/20790516_OGi0Y.png" alt="bombeiro.png" width="640" height="480" /></p>
<p> </p>
<p>Trabalho num serviço público desde o início do século. Um serviço que atende muitos utentes, muitas entidades e que tem obrigação de também as acompanhar com uma certa dose de fiscalização.</p>
<p>Conheço bem este serviço. Tem uma sede nacional, uma delegação regional e os serviços de proximidade.</p>
<p>Há quase vinte anos, na unidade onde trabalho, éramos quase o dobro. Tínhamos autonomia na análise e o dirigente tinha autonomia de decisão sobre essa análise. Os papéis eram mais, mas os procedimentos burocráticos eram menos.</p>
<p>Pertencemos a um Ministério cuja orgânica é grande e pesada. Somos muitos, e os graus de decisão muito escalonados. Mas este é um Ministério, cuja boa ação é fulcral para todos os que acreditam no Estado Social. E cuja má imagem convém aos que preferiam que ele fosse mínimo e simplesmente caritativo.</p>
<p>Caridade é uma palavra da qual não gosto em particular. Aqui, nesta região que tanto precisa de um Estado Social forte, aprendi que o que devemos aos outros é a solidariedade desinteressada. Porque, entre outras coisas, a misericórdia que devemos aos mais velhos, prende-se com as condições de vida dura, que sempre tiveram para aguentar vivo este território. Porque a vida, por aqui, nunca foi fácil.</p>
<p>Mas sobre os trabalhadores do Estado, lembro que somos o tipo de trabalhadores a quem a sociedade atira culpas, quando o País percebe que não se acautelou a economia.</p>
<p>À conta disso, reduziram-nos o salário, aumentaram as contribuições do subsistema de saúde de que usufruímos, mas que pagamos religiosamente todos os meses, congelaram as nossas perspetivas de melhor futuro.</p>
<p>Como somos uma unidade com pouca gente, mas com um âmbito territorial enorme (que também foi acrescentado nos últimos anos), já não podemos dizer que temos facilidade em conhecer todo esse território. De Monfortinho à aldeia mais recôndita do Concelho de Oleiros, sem pressas e, com sorte, sem avarias, no mínimo calculo umas duas horas de viagem…</p>
<p>No entanto estamos cá. A fazer o melhor que podemos. A ser os últimos representantes do Estado direto, nesta região que muitos querem esquecida.</p>
<p>E estamos cá a fazer bem. A trabalhar em parceria. Em parceria com os nossos públicos e com os outros que também são Estado. A trabalhar com o terceiro setor, com o voluntariado e com todos os que queiram trabalhar connosco.</p>
<p>E até acumulamos papéis, muitas vezes. Porque também somos voluntários, associados, dirigentes, autarcas.</p>
<p>E perdemos do nosso tempo, da nossa disponibilidade, do nosso lazer. Mas ganhamos em sentido de dever.</p>
<p>Se eu acredito em acontecimentos raríssimos? Óbvio. A ganância e o deslumbramento são próprios do ser humano.</p>
<p>Mas, sinceramente, na maior parte dos casos, este tipo de voluntariado formal ou informal, o acrescento individual que tem, é o da realização pessoal, por fazer algo de que se gosta.</p>
<p>Pessoalmente sinto que não ficaria bem comigo, se não participasse da obrigação de colaborar na construção do bem comum.</p>
<p>Lembro-me que, durante os incêndios, um familiar dizia-me «Quando explicas a um estrangeiro que o combate aos incêndios é feito por Bombeiros Voluntários, que põem a sua vida em risco, eles ficam surpreendidos». E porquê? Porque esse tipo de desapego é a melhor característica deste povo voluntarioso que somos. E é raro de encontrar.</p>
<p>E este voluntariado assenta num gosto, que é o de ajudar o outro. Diriam os grandes teóricos que temos uma grande inteligência emocional…</p>
<p>Eu, por mim, vou continuar a tentar valorizar mais quem dá o seu melhor todos os dias. Seja ele um interventor formal do Estado, seja um qualquer voluntário que, por o ser, torna a vida em comunidade mais humana. E vou continuar a participar e a ser uma associada contribuinte.</p>
<p>Quanto ao resto, bem, talvez seja hora de uma revolução dos costumes. Dum assumir de que, a todos resvala o pé para o pedido do jeitinho ou para o estacionamento mal feito porque temos pressa… E que mudar também começa por aí: respeitar as regras para poder exigir que elas sejam respeitadas…</p>
<p>Como a vida não dá saltos e o tempo leva tempo, espero o reforço de um verdadeiro papel de acompanhamento/fiscalização do Estado, a fim de que, quem erra seja afastado e quem cumpre seja premiado.</p>
<p>E porque é tempo de Festa da Luz, de Solstício e de Natal, desejo a todos um grande ano de 2018 e uma festividade plena de Luz.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:66412017-12-04T09:43:00Memórias da Água2017-12-04T10:01:13Z2017-12-04T10:06:58Z<p class="sapomedia images">A água, por aqui, sempre foi abundante. Mas foi preciso ir buscá-la ao interior da terra. </p>
<p><img style="padding: 10px; width: 398px; height: 301px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="poço.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0d131ed5/20771968_PZVgY.jpeg" alt="poço.jpg" width="640" height="480" /></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Os antigos sabiam que ela lá estava. Diziam que corre um braço de Mar pela Gardunha. E sabiam ser essa uma das grandes riquezas desta Serra. Por causa disso, abriram minas e poços e construíram levadas. Tornaram a terra fértil e criaram um labor, o de moleiro, que deu trabalho a muitas famílias.</p>
<p><img style="padding: 10px; width: 391px; height: 225px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="levada.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bd206bfd3/20771982_DZdTk.jpeg" alt="levada.jpg" width="640" height="480" /></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> E até havia uma classe especial de homens, com uma sensibilidade especial, que, armados com um pau de marmeleiro, encaixado nos braços, descobriam com fiabilidade onde havia água em abundância. A estes homens chamou-se vedores.<br /> O meu bisavô aliava a essa sensibilidade o saber da arte de pedreiro. Não sei se herdou ambos dos seus antepassados, que vieram de longe. O nome Braga, já bastante comum por aqui, começou por ser alcunha dado a um mestre de cantaria, trazido dessa cidade, para trabalhar na construção do colégio de S. Fiel.<br /> Do que sei, a maior parte dos seus filhos e muitos netos, aprenderam a trabalhar a pedra.</p>
<p style="text-align: justify;"><img style="padding: 10px; width: 303px; height: 397px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="mina.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bab0941e2/20771974_URJ11.jpeg" alt="mina.jpg" width="375" height="500" /></p>
<p style="text-align: justify;"><br /> E ficaram por cá. Um deles, o meu avô, faria hoje anos. E sei que ficaria muito contente com o som desta manhã de inverno: enchadas, serras, motosserras, vozes, pássaros e abelhas. A vida, depois deste duro e longo verão, está de volta. E a herança destes homens rijos, desta e de muitas outras famílias, trabalhadores e com respeito pela natureza, continua cá.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:63082017-11-10T09:52:00O que é que nós temos para oferecer (que seja diferente)?2017-11-10T09:59:25Z2017-11-10T09:59:25Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="turismo acessível.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7108918a/20731502_IFpZk.jpeg" alt="turismo acessível.jpg" width="299" height="185" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Por formação e prática, a área do Turismo é, para mim, apaixonante. Por sensibilização profissional, a reabilitação, a integração, o acolhimento da pessoa com deficiência, são temas sempre presentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje soube de uma iniciativa que fez disparar um click: associar tudo o que fazemos de muito bem nestas duas áreas.</p>
<p style="text-align: justify;">Indubitavelmente, este País, no seu todo, tem ainda muito por explorar, no que ao Turismo diz respeito. Indubitavelmente também, a grande maioria dos seres humanos caminha para ser portador de algum tipo de deficiência. Indubitavelmente, temos obrigação de tornar os equipamentos da «Indústria da Paz» acessíveis a todos.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu, por exemplo, imagino-me a passear até ao fim dos meus dias. Espero fazê-lo sempre com o máximo de condições, que me garantam poder usufruir de tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, se temos potencial turístico a explorar, se precisamos de o explorar, se somos bons Cuidadores, se o Mercado Social é, cada vez mais, uma das grandes apostas do País, e se o fazemos com qualidade, juntar os dois só pode ser uma daquelas ideias tão evidentes que só podem ser brilhantes…</p>
<p style="text-align: justify;">Depois da guerra dos incêndios, com as promessas de que o País não pode continuar a ser olhado pelo prisma anterior, este parece-me ser um dos caminhos que estaremos naturalmente talhados para fazer bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Saibamos ter a empatia necessária para nos colocarmos no lugar do outro, na tomada de decisões de investimento ou requalificação. Saibamos estabelecer as pontes necessárias entre os agentes económicos, as diversas entidades do Estado e os interventores na área dos cuidados, e sairemos todos a ganhar.</p>
<p style="text-align: justify;">E é tão fácil construir pontes num País tão maravilhosamente pequeno…</p>
<p style="text-align: justify;">Saibamos todos dar o melhor de nós...</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:60112017-11-02T12:36:00O Culminar da Sabedoria Humana é a Fraternidade2017-11-02T12:40:41Z2017-11-03T15:25:23Z<p>Um escocês bem disposto, num Bar Irlandês, perguntava aos presentes das suas nacionalidades, para poder dedicar-lhes canções. Para os portugueses cantou esta, que disse ser a que lhe vinha à mente, quando pensava no nosso País.<br /> Eu lembro um dito já algo gasto: «Deus criou os brancos, os amarelos, os vermelhos, os negros. Os portugueses criaram os mestiços.»<br />Acho que uma das nossas grandes qualidades é a da tolerância, da integração do outro.</p>
<p class="sapomedia videos"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/9YErDUwMB7g?feature=oembed" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p> </p>
<p>A aplicação da máxima que perpassa a maioria das religiões, o RE+LIGARE. A noção de que o caminho da evolução é no sentido da unidade, sendo que o Paraíso será a Unidade vivida conscientemente.<br /> Saibamos pois, ser construtores de pontes.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:55882017-10-19T12:45:00Medo do Inverno2017-10-19T11:48:34Z2017-10-19T11:48:34Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="casa ardida.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bed045b0d/20696036_YGuH8.jpeg" alt="casa ardida.jpg" width="500" height="282" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Tenho medo do Inverno que se aproxima.</p>
<p style="text-align: justify;">Medo do que o Inverno vai trazer, para estes sítios. Medo da solidão que vai ser mais pesada, da fome envergonhada que vai aparecer, do frio que se vai sentir mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Contam-me da falta de assistência aos que ficaram sem casa, sem horta, sem apoio familiar.</p>
<p style="text-align: justify;">«O que é que eu fico aqui a fazer? Vou para Lisboa pra perto dos filhos…».</p>
<p style="text-align: justify;">A seguir às árvores, vão ser os humanos a desenraizar-se. E os que ficam, a ficar mais sós.</p>
<p style="text-align: justify;">O trabalho duro, que dá sentido aos dias de Inverno, como a apanha da azeitona e as podas, não vai existir. E todo o ser vivo que não mexe, perde vitalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A solidão, a tristeza e o medo vão ter uma sombra maior.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem conhece estas vivências, sabe e conhece estas sombras. Será que os que vivem e trabalham nas praças ensolaradas dos grandes meios serão capazes de as compreender?</p>
<p style="text-align: justify;">Será que vão ser capazes de decidir para poder ajudar?</p>
<p style="text-align: justify;">«É preciso sair da ilha para melhor poder ver a ilha». Sim, mas sair implica SEMPRE ter estado lá…</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:53372017-10-16T10:00:00E agora?2017-10-16T09:06:29Z2017-10-16T09:06:29Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 152px; height: 220px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="região centro.png" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba908a04d/20689464_hmw0S.png" alt="região centro.png" width="640" height="480" /></p>
<p> </p>
<p>E agora? O nível de indignação, de perdas, de vítimas já é suficiente?<br /> Tendo ardido Portugal de Norte a Sul, de Oriente a Ocidente já temos matéria para nos debruçarmos seriamente sobre um assunto difícil como o é a organização e a intervenção no território?<br /> Vai haver coragem para reorganizar os serviços, a protecção, a segurança segundo as mesmas fronteiras?<br /> Vão as entidades supramunicipais e regionais ter intervenção e competências que as validem?<br /> É que a solução de nos mud<span class="text_exposed_show">armos todos para o litoral caiu por terra também, ou melhor, sucumbiu ao fogo. <br /> Agora, só se formos todos fazer vida suburbana para as grandes cidades.<br /> Não quero continuar a viver num País que depende da intervenção da chuva, para solucionar os grandes erros dos Homens.<br /> Não quero criar esperança para depois rapidamente a perder, por inoperâncias várias.<br /> Já houve contrições, demissões, eleições, voluntarismos de toda a espécie. Responsabilidades, no fundo, o tempo foi-as apagando, ao ponto de os próprios responsáveis virem agora pedir contas também.<br /> Eu só quero que me digam, agora, em que é que posso ajudar e de que forma vão ajudar.<br /> Gostava de ouvir orientações claras sobre o que vamos fazer e como é que o meu País vai mudar...<br /> Gostava de perceber lucidez que, no meio deste caos, o que, para mim, seria a única forma de recuperar a serenidade...</span></p>
<p class="sapomedia images"> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:49072017-08-24T12:30:00A cigarra e a formiga2017-08-24T10:00:17Z2017-08-24T10:00:17Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 372px; height: 195px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="cigarra e formiga.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B96048556/20605491_vmbEA.jpeg" alt="cigarra e formiga.jpg" width="500" height="252" /></p>
<p> </p>
<p>«E tu cigarra, o que fizeste durante o verão?</p>
<p>Eu? Eu cantei.</p>
<p>Ai cantaste? Então agora, dança!»</p>
<p> </p>
<p>Esta era uma das muitas histórias que nos contavam, quando éramos miúdos, ao serão.</p>
<p>Este é um princípio que as gentes do campo conhecem bem. Por isso, os meses de verão, são meses de muito trabalho: colheitas, conservas, arranjos nas casas e caminhos.</p>
<p>Quando vêm as primeiras chuvas, o tempo é de começar a abrandar o ritmo de trabalho, não esquecendo, pelo meio, o tempo das vindimas e da aguardente. Depois a azeitona. Depois as podas, para que nasça nova e ordenada vida, na Primavera seguinte.</p>
<p>O Estio é tempo de trabalho, até porque o tempo de luz, de sol a sol, é mais longo.</p>
<p>O Inverno é tempo de pousio, para dar tempo à Natureza de fazer acontecer os seus milagres.</p>
<p>Sábias práticas e sábios conhecimentos, os daqueles que sabem adaptar-se aos ciclos da Natureza.</p>
<p>Quando os abandonamos, ficamos à mercê dos elementos, e nem o facto de sermos bons cantores nos servirão de muito: «cantas bem mas não me alegras», diz o povo.</p>
<p>Os sábios Gregos diziam que o homem que pensa, mas que não pratica aquilo que pensa, é como se não pensasse.</p>
<p>Eu, por mim, gosto de ler os grandes pensadores, mas aprecio muito, também, a sabedoria daqueles que prevêm, trabalham e se adaptam aos ciclos da natureza, aos ciclos do tempo, precavendo-se, trabalhando.</p>
<p>Porque música, como chapéus, há muita. E para muitos gostos.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:41952017-07-31T15:46:00O Homem e o Meio2017-07-31T14:50:05Z2017-08-21T15:17:12Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 320px; height: 243px;" title="sapadores.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bda0288ba/20566965_NAa8Y.jpeg" alt="sapadores.jpg" width="500" height="375" /><img style="padding: 10px; width: 186px; height: 244px;" title="carro sapadores.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B41022daa/20566966_Epglp.jpeg" alt="carro sapadores.jpg" width="375" height="500" /></p>
<p> </p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Nesta leva louca de incêndios que tem assolado o País, houve uma ocorrência na minha aldeia, que poderia ter figurado como mais um dos grandes incêndios deste Verão de 2017. </span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Por sorte, a equipa de sapadores estava por lá. Por sorte, a viatura não estava avariada. Por sorte, os sapadores são pessoas experientes, afoitas e com apego e amor à Terra. Por sorte…</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Porque a sorte existe quando as forças vivas se recusam a baixar os braços à interioridade, não se dão por vencidos, mesmo quando o pagamento de magros salários, impostos, equipamentos e combustíveis se tornam operações aritméticas impossíveis, face aos meios de que dispõem.</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Conheço muito bem aquela Equipa. Estive na primeira Assembleia de Freguesia, que serviu de base à recolha de assinaturas para a constituir. Participei da alegria de receber cinco trabalhadores motivados e equipados, para o desempenho de uma função tão importante, numa Freguesia com área florestal. </span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Levaram um treino de choque: no primeiro Verão, num só fim-de-semana, deram resposta a mais de três dezenas de ocorrências… Para além da sorte, também acredito no azar das coincidências…</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">O que eu me recuso a acreditar é na leveza com que o Território continua a ser analisado, numa perspetiva de cima para baixo, como quem olha para uma máquina de calcular ou um mapa de papel, que pouco dizem da realidade. </span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Acredito, isso sim, na inteligência humana que procura exemplo de inteligência na Natureza, ela própria. Não esquecendo que os habitantes de um determinado local, conhecem e partilham dessa sabedoria ancestral do Mundo Natural…</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Haverá alguém mais conhecedor e defensor do território do que aqueles que o habitam?</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Será que vamos continuar a acreditar em acompanhamentos e fiscalizações feitas em gabinete, por meros registadores de dados, que é o que o Estado transformou os seus próprios trabalhadores?</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Sabem qual é o salário de um Sapador Florestal? Sabem qual é o orçamento de uma Brigada de Sapadores? Já fizeram contas aos quilómetros que têm as tais viaturas entregues no início do milénio?</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Sabem quanto tempo levará a recuperar o Património que estamos a perder?</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Sabem, efetivamente, qual é o peso e dimensão do cultivo intensivo de resinosas neste País?</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Sabem que não queremos ir todos viver para o Litoral? Que muitos há que gostam e acreditam na vida, com qualidade, na metade interior de Portugal?</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Que estratégia de desenvolvimento resultará se as condições básicas não estiverem garantidas? Quem poderá pensar em Agricultura, indústria, turismo, numa região onde as infraestruturas, de um momento para o outro podem desaparecer?</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">E o que dizer das infraestruturas basilares à nossa existência, que nós pagamos como bens de luxo, como é o caso das portagens, energia, transportes no geral?</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">No meio do inferno que vivemos este Verão, logo após a semana tenebrosa do Incêndio no Pinhal Interior, ouvi quatro distintos comentadores apontarem como solução ideal ,uma espécie de condomínio concentrado de moradores do interior, para que o Estado melhor tomasse conta deles…</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Sabem, as gentes do Interior nunca precisaram que tomassem conta deles. O País Interior é que precisa das suas gentes, e de novas gerações de gentes. </span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Há uns anos atrás, um autarca de quem gosto e admiro, falava da noção de que estas gentes daqui não precisam de caridade. Caridade Era o que os Senhores vinham fazer, quando atiravam moedas da varanda, à vista de todos. </span></p>
<p><span style="font-family: Calibri;">O que é devido e merecido é a visão de que, a solidariedade de um País começa quando esse País consegue ver-se como um todo.</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:40452017-06-28T14:35:00Ciceronear2017-06-28T14:03:15Z2017-06-28T14:03:15Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 188px; height: 128px;" title="IMG_0030.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4d0276c1/20508998_mBNS0.jpeg" alt="IMG_0030.JPG" width="500" height="334" /><img style="padding: 10px; width: 191px; height: 130px;" title="IMG_0067.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2a025e68/20509001_1mgfZ.jpeg" alt="IMG_0067.JPG" width="500" height="334" /><img style="padding: 10px; width: 191px; height: 130px;" title="IMG_0117.CR2.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2d07df71/20509005_lVd89.jpeg" alt="IMG_0117.CR2.jpg" width="500" height="334" /></p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 189px; height: 131px;" title="IMG_0051.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B17026a5e/20509012_2GBkT.jpeg" alt="IMG_0051.JPG" width="500" height="340" /><img style="padding: 10px; width: 190px; height: 134px;" title="IMG_9038.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4c0501db/20509014_OV0qi.jpeg" alt="IMG_9038.JPG" width="500" height="347" /><img style="padding: 10px; width: 191px; height: 136px;" title="IMG_9047.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bcc05546f/20509018_nlAWm.jpeg" alt="IMG_9047.JPG" width="500" height="351" /></p>
<p class="sapomedia images"> </p>
<p><em>«…Parece que a palavra (cicerone) foi utilizada primeiramente para descrever </em><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Idoso" rel="noopener"><em>idosos</em></a><em> com conhecimentos que mostravam e explicavam aos estrangeiros as antiguidades e curiosidades do país (segundo a definição do Novo Dicionário Inglês de 1762).»</em></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">O Beirão gosta de receber. Fica contente em mostrar a sua terra. Daí que, sempre que possa, convida amigos para a virem conhecer.</p>
<p style="text-align: justify;">Conhece os caminhos, as maravilhas novas e antigas da sua terra e, por isso, sente-se muito bem neste papel.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabe que conta com redes formais e informais de gentes que, como ele, gostam muito deste cantinho, e tudo farão para o ajudar, nesta sua tarefa de bem receber.</p>
<p style="text-align: justify;">Sendo, como diz a cantiga, um «coração da Serra», gosto muito de ciceronear.</p>
<p style="text-align: justify;">E gosto muito, porque sei que, também eu, vou descobrir e aprender muito. Vou partilhar e receber sorrisos, conhecimentos e bons momentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Porque ser cicerone, por estas bandas é subir à Gardunha e descer ao Tejo, para navegar envoltos em Natureza silenciosa.</p>
<p style="text-align: justify;">É ir molhar os pés à Ocreza e contemplar cenários de contos de fadas.</p>
<p style="text-align: justify;">É passar pela Marateca e ir apanhar cerejas ao pomar do produtor.</p>
<p style="text-align: justify;">É ser recebida em casas comerciais como se estivéssemos em casa de amigos. Provar enchidos, queijos, pão, migas, açordas, peixe do rio, carnes, fruta, doces com sabor genuíno e que vão marcar saudades.</p>
<p style="text-align: justify;">Passear por ruas centenárias, deixar-se envolver pela História e ser abordado pelos moradores, que nos perguntam de onde vimos e nos desejam saúde, bom caminho e agradecem com Bem Hajam, simplesmente porque outros dizem que gostam muito do que é nosso.</p>
<p style="text-align: justify;">É conhecer estruturas novas que dão a conhecer a nossa História, ou que acolhem artes que nos fazem alargar horizontes.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, ciceronear é partilhar para receber. É dispor do nosso tempo, para construir mais orgulho. É contribuir para defender o nosso Património.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:36762017-05-16T11:01:00O que é que ainda sabemos do que é nosso?2017-05-16T10:36:04Z2017-05-16T13:56:14Z<div>
<div>
<div class="_1mf _1mj" style="text-align: justify;"><span><span><img style="padding: 10px; width: 245px; height: 245px;" title="PR1 Rota da Gardunha.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pfb12eab7/20432139_7DJIG.jpeg" alt="PR1 Rota da Gardunha.jpg" width="260" height="260" /><img style="padding: 10px; width: 278px; height: 161px;" title="entrosa.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bc207e622/20432135_uCZzt.jpeg" alt="entrosa.jpg" width="500" height="281" /></span></span></div>
<div class="_1mf _1mj" style="text-align: justify;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Ocreza.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/P3b0772b3/20432137_qoPiG.jpeg" alt="Ocreza.jpg" width="260" height="174" /><img style="padding: 10px; width: 259px; height: 259px;" title="levada.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bb3075c8d/20432134_qn6gt.jpeg" alt="levada.jpg" width="500" height="500" /></div>
<div class="_1mf _1mj" style="text-align: justify;"> </div>
<div class="_1mf _1mj" style="text-align: justify;"><span><span>Ontem, ouvi da importância de incluir nos nossos percursos educativos, os ensinamentos daquilo que é imaterial, relativamente aos sítios que habitamos. </span></span></div>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<div class="_1mf _1mj"><span><span>A ligação da educação à herança deste património dos saber fazer, e dos saber ser, é fulcral para que ele se mantenha. </span></span></div>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<div class="_1mf _1mj"><span><span>Conseguir identificar e classificar um património material ou imaterial, não é o mesmo que conseguir saber como esse património foi construído, como era usado e toda a riqueza das histórias (e estórias) a ele ligadas.</span></span></div>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<div class="_1mf _1mj"><span><span>Fizemos (Associação Cantar de Cuco), este fim-de-semana a Rota das Levadas. Tem início em Louriçal do Campo, sobe até ao caminho do Meio, onde podemos lançar a vista a Monsanto, à Raia fronteiriça até ao Alto alentejo e a todo o Campo Albicastrense e, depois de passar por uma magnífica obra, saída da imaginação do Arquitecto Salles Viana, começamos a descer o «Canhão do Ocreza» até chegarmos à aldeia da Torre. </span></span></div>
<div class="_1mf _1mj"><span><span>Nesta Rota tentamos dar a conhecer um sistema de transporte e aproveitamento de água centenário, que são as levadas (vem do tempo dos Romanos), uma indústria que foi à época intensiva, que era a das azenhas, que fixou populações, que criou caminhos que ainda hoje existem, que atraiu mestres de outras áreas (pedreiros, comerciantes, agricultores). E, no entanto, continuamos a surprendemo-nos quando constatamos que esta nossa Ocreza, junto à Gardunha, continua a ser desconhecida, quer para os habitantes da própria freguesia, quer para o resto do Concelho e região, onde estas azenhas tinham a sua área de influência (iam até à Idanha recolher trigo, dizem).</span></span></div>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<div class="_1mf _1mj"><span><span>Tenho para mim, marcadamente presente, a necessidade urgente de trabalhar estes museus vivos que são as comunidades rurais, porque são elas que sempre nos permitem recentrarmo-nos quando perdemos o nosso Norte. É parando, libertando-nos de quaisquer influências externas que conseguimos pensarmo-nos. Questionar-se deveria ser um dos grandes pilares da vivência humana.</span></span></div>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<div class="_1mf _1mj"><span><span>Quando a espiral de facilitismo, que as novas tecnologias e as vivências citadinas constroem, nos faz perder o sentido, é preciso parar e perguntar porquê e para quê. Por exemplo, alguma vez se perguntaram porque é que o telefone móvel tem um toque de chamada que é um excerto de uma música? O que é que isso acrescenta? Qual é a mais valia que a tecnologia veio trazer com isso? Estamos a desperdiçar recursos, a inventar inutilidades, que seriam melhor aplicados noutras áreas, que trariam mais felicidade ao ser humano.</span></span></div>
</div>
<div>
<div class="_1mf _1mj" style="text-align: justify;"><span><span><span>O que é que afinal, nos andamos a fazer a nós próprios, ou melhor, o que é que andamos a deixar que façam da nossa vida e das nossas escolhas? A ilusão de liberdade, a ilusão de que todas as decisões do nosso viver são nossas, é, para mim, a mais perigosa das ilusões, porque nos torna seres sem vontade e identidade próprias. E é a identidade, é o uso das características marcadamente pessoais que determinam uma existência plena. É a partir do encontro das diferentes existencias, do seu confronto e somatório, que a humanidade evolui.</span></span></span></div>
<div class="_1mf _1mj" style="text-align: justify;">
<p class="sapomedia images">De contrário, estaremos somente a sobreviver. </p>
<p> </p>
<p> </p>
</div>
</div>
</div>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:33312017-04-03T11:55:00Auroras2017-04-03T10:58:50Z2017-04-03T10:58:50Z<p><strong><em>Auroras</em></strong></p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 476px; height: 361px;" title="aurora.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G2d129bfb/20348442_E75mR.jpeg" alt="aurora.jpg" width="960" height="720" /></p>
<p>O amanhecer, em sítios onde a Natureza pode ser ela própria, tem cheiros, sons e cores que fazem valer a pena levantar cedo e sair de casa.</p>
<p>Quando vejo o sol nascer (a vista despejada), normalmente, vem-me uma música antiga à mente. Esta é uma música partilhada por muitas regiões de Portugal, mas a versão que conheço melhor, tem letra da responsabilidade de um mestre, que a escreveu quando ensinava na escola da minha aldeia: «Lá vem a aurora, lá vem, lá vem, a Madrugada que graça tem.» Saudoso Arlindo de Carvalho.</p>
<p>Ouvi-a muitas vezes, trauteada lá por casa, no regresso das festas e bailaricos ou quando dançava num rancho.</p>
<p>Hoje, imagino ranchos de homens e mulheres, a caminho de um dia longo e pesado de trabalho no campo. E por que é que cantavam? Para aligeirar essa carga, esse esforço, disfarçar a dor.</p>
<p>«Quando andávamos à azeitona não havia silêncio no campo. Cada um puxava de seu lado as canções que sabia.» E era assim que, num trabalho demorado, pesado e levado a cabo no Inverno duro dos sítios onde crescem oliveiras, se construíam, mesmo assim, boas memórias…</p>
<p>A capacidade de trabalhar com alegria foi-se perdendo… os laços de entre-ajuda e companheirismo tornaram-se mais fracos. Passámos a acreditar que a realização, a felicidade, a satisfação, são centradas no eu. Num eu que cresce em desconfiança, e até medo, do outro.</p>
<p>No expoente máximo deste sentimento narcísico, entramos em vórtice de sentimentos negativos, até que percebemos que o bem-estar não pode ser individual. A satisfação só será plena, se for comum.</p>
<p>Não quero o pior dos dias que já passaram, e luto para que esse pior não volte. Mas acredito que temos que rever a forma como nos relacionamos. Recuperar a cooperação, o respeito, a boa vizinhança, a entre-ajuda. Partilhe-se hoje o conhecimento, tal como antes se partilhavam os saberes ancestrais das coisas diárias. Coisas que antes pareciam tão simples, porque eram comuns. Quem pode dizer hoje que seria capaz de fazer germinar o seu próprio sustento? Amassar o seu pão, fazer o seu vinho?</p>
<p>Parece difícil? Alguma vez nos interessámos? Alguma vez perguntámos? Alguma vez ajudámos? Partilhámos desse esforço com alguém?</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:noitesdeverao:31162017-02-01T16:33:00«E o que é que nós temos para oferecer?»2017-02-01T16:55:19Z2017-02-01T16:59:39Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 199px; height: 136px;" title="caminho.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Peb05cd0b/20224032_npgRi.jpeg" alt="caminho.jpg" width="500" height="334" /><img style="padding: 10px; width: 179px; height: 136px;" title="BTT.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9415201f/20224010_1pldk.jpeg" alt="BTT.jpg" width="500" height="375" /><img style="padding: 10px; width: 182px; height: 138px;" title="neve.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B3c07cb45/20224013_79JmB.jpeg" alt="neve.jpg" width="640" height="480" /></p>
<p> <img style="padding: 10px; width: 194px; height: 131px;" title="Domingo de ramos.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B82026fd1/20224015_86Fqq.jpeg" alt="Domingo de ramos.jpg" width="640" height="480" /><img style="padding: 10px; width: 182px; height: 124px;" title="Ocreza.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6812d5cf/20224041_bSKvh.jpeg" alt="Ocreza.jpg" width="500" height="333" /><img style="padding: 10px; width: 180px; height: 136px;" title="fonte velha.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B80070dd1/20224051_4olKA.jpeg" alt="fonte velha.jpg" width="640" height="480" /></p>
<p> <img style="padding: 10px; width: 194px; height: 148px;" title="5.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be41586ab/20224071_QHvCt.jpeg" alt="5.jpg" width="370" height="277" /><img style="padding: 10px; width: 188px; height: 143px;" title="1.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4202fef3/20224081_8Yp5E.jpeg" alt="1.jpg" width="480" height="360" /><img style="padding: 10px; width: 178px; height: 135px;" title="Folar.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B471214d0/20224090_eNoF0.jpeg" alt="Folar.jpg" width="500" height="375" /> </p>
<p>Esta é uma pergunta comum, que nos colocamos quando iniciamos um projecto, pricipalmente na área turística.</p>
<p>Tendemos a minimizar o que nos é familiar e disponível. Não conseguimos ter a perspectiva da valorização territorial.</p>
<p>E, um dia, damos por nós a encontrar evidências: o que de melhor temos para oferecer, é o que temos de mais nosso. O que é inquestionavelmente genuíno e diferenciador, quer se trate de Património Construído (incluindo a natureza no seu papel de construtora), quer do Património Imaterial que o habita, que lhe dá uso e sentido.</p>
<p>O que temos de melhor vai semear saudades, boas memórias. Vai ser responsável pela vontade de voltar.</p>
<p>O turista do século XXI está cansado do standardizado, vem à procura de novidade, de diferença, de aprendizagem.</p>
<p>E nós temos muito disso para oferecer e mostrar. E temos a vantagem da grande diversidade que encontramos neste pequeno País. «Daqui se avistam terras de Espanha e areias de Portugal».</p>
<p>Gosto muito da idéia de que o Turismo é a Indústria do Tempo de Paz. E acredito que esta será sempre, uma fonte de subsistência para nós. Saibamos nós aproveitá-la.</p>
<p>Neste campo, a intervenção no território tem que ser a suficiente para que este se torne acessível e conhecido, respeitando-o na sua matriz. De resto, a Indústria de Paz basear-se-á também no conceito de liberdade do seu usufrutuário. No conceito de liberdade de escolha e de tempo disponível, adaptando a sua estadia a estes dois itens. A limitação apenas deverá ocorrer com base no gosto pessoal.</p>
<p> Porque gosto muito do cantinho da Beira Baixa onde cresci, junto alguns postais, de uma área de uma freguesia rural. Imaginem a diversidade que é possível acrescentar-lhe ou, em alternativa, imaginem, somente, o que há por aqui para oferecer.</p>
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<p class="sapomedia images"> </p>