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Noites de Verão

Noites de Verão

19
Out17

Medo do Inverno


Paula Custódio Reis

casa ardida.jpg

 

Tenho medo do Inverno que se aproxima.

Medo do que o Inverno vai trazer, para estes sítios. Medo da solidão que vai ser mais pesada, da fome envergonhada que vai aparecer, do frio que se vai sentir mais.

Contam-me da falta de assistência aos que ficaram sem casa, sem horta, sem apoio familiar.

«O que é que eu fico aqui a fazer? Vou para Lisboa pra perto dos filhos…».

A seguir às árvores, vão ser os humanos a desenraizar-se. E os que ficam, a ficar mais sós.

O trabalho duro, que dá sentido aos dias de Inverno, como a apanha da azeitona e as podas, não vai existir. E todo o ser vivo que não mexe, perde vitalidade.

A solidão, a tristeza e o medo vão ter uma sombra maior.

Quem conhece estas vivências, sabe e conhece estas sombras. Será que os que vivem e trabalham nas praças ensolaradas dos grandes meios serão capazes de as compreender?

Será que vão ser capazes de decidir para poder ajudar?

«É preciso sair da ilha para melhor poder ver a ilha». Sim, mas sair implica SEMPRE ter estado lá…

 

16
Out17

E agora?


Paula Custódio Reis

região centro.png

 

E agora? O nível de indignação, de perdas, de vítimas já é suficiente?
Tendo ardido Portugal de Norte a Sul, de Oriente a Ocidente já temos matéria para nos debruçarmos seriamente sobre um assunto difícil como o é a organização e a intervenção no território?
Vai haver coragem para reorganizar os serviços, a protecção, a segurança segundo as mesmas fronteiras?
Vão as entidades supramunicipais e regionais ter intervenção e competências que as validem?
É que a solução de nos mudarmos todos para o litoral caiu por terra também, ou melhor, sucumbiu ao fogo.
Agora, só se formos todos fazer vida suburbana para as grandes cidades.
Não quero continuar a viver num País que depende da intervenção da chuva, para solucionar os grandes erros dos Homens.
Não quero criar esperança para depois rapidamente a perder, por inoperâncias várias.
Já houve contrições, demissões, eleições, voluntarismos de toda a espécie. Responsabilidades, no fundo, o tempo foi-as apagando, ao ponto de os próprios responsáveis virem agora pedir contas também.
Eu só quero que me digam, agora, em que é que posso ajudar e de que forma vão ajudar.
Gostava de ouvir orientações claras sobre o que vamos fazer e como é que o meu País vai mudar...
Gostava de perceber lucidez que, no meio deste caos, o que, para mim, seria a única forma de recuperar a serenidade...

 

 

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